O que os novos tempos têm a ver com nossas cozinhas?

22/6/2020

     Muito da cultura de um povo vem de suas habilidades culinárias, que são passadas de geração em geração. Comer à mesa e cozinhar em família é, portanto, uma herança para todos os moradores que têm a oportunidade de desfrutar da comida.

   Os novos tempos que estamos vivendo têm sido para alguns um encontro com suas cozinhas, utensílios, aparelhos e escolhas alimentares.

    Os filhos já não fazem mais as refeições na escola, os adultos não comem mais no refeitório ou no Buffet perto do trabalho e a cozinha virou ponto de encontro entre uma reunião e outra, um trabalho e outro.

        

     Como então desfrutar desses encontros da melhor forma?

 

  • Valorize o tempo à mesa e se comprometa a separar entre 15 ou 20 minutos para sentar-se e comer com calma. A mastigação lenta é conhecida cientificamente por prevenir a obesidade.

  • Pense na lista de compras em família. Envolva as crianças na escolha dos itens que irão compor o cardápio.

  • O que tem pro jantar? Antecipe as decisões e evite chegar com muita fome na cozinha para preparar o jantar. Se tudo isso é muito novo para você, defina uma refeição à frente: pense no jantar na hora do lanche da tarde, pense no café da manhã na hora do jantar,...

  • Coloque a mesa! Aproveite aquelas louças que só são usadas no Natal e coloque-as à disposição da sua família. Uma mesa atrativa é coadjuvante para tornar as refeições mais tranquilas.

  • Leve as crianças para a cozinha: deixe os itens de plástico para eles lavarem; permita que mexam alguma panela com supervisão; peça ajuda para descascar a cebola e o alho. Tudo sempre de acordo com a idade e autonomia de cada criança, é claro!

    Com algumas dessas medidas, o comer em casa vai adquirir novo formato. Lembre-se que saúde não é só o que se come, mas como se come também.

     Quão saudáveis tens sidos seus encontros com a comida na cozinha?

Transtornos Alimentares, vamos prevenir?

3/6/2020

      Há um estigma perigoso a respeito da família e do seu papel nos Transtornos Alimentares. Por isso, hoje às vésperas do dia 2 de junho, data reconhecida como o Dia Mundial da Conscientização dos Transtornos Alimentares, escolhi dar luz a uma reflexão sobre a família como importante aliada na prevenção.

 

     Uma imagem corporal respeitosa e interações positivas com a comida podem construir alicerces firmes o suficiente para reduzir drasticamente as chances de desenvolver um relacionamento conturbado com a comida e com o corpo.

 

   Mas o que seriam essas interações positivas? Comer salada sorrindo como na propaganda certamente não é!

 

     A comida que comemos desempenha diferentes papéis e não pode e nem deve ser resumida ao seu adequado “aporte nutricional”. Comer é também partilhar, criar memórias e desde a infância molda o repertório alimentar dos indivíduos de acordo com sua cultura, núcleo familiar e situação social.

 

    Algumas atitudes que vou citar a seguir fazem parte do nosso mundialmente reconhecido Guia Alimentar para a População Brasileira e se aplicadas, seus benefícios se extrapolam para a prevenção de muitas outras desordens de saúde.

 

     Partilhar a mesa durante as refeições, em um ambiente tranquilo, embora possa parecer um desafio para muitas famílias é um esforço que vale a pena tentar investir alguma energia. Falar a mesa sobre como a comida está saborosa; ou como foi interessante experimentar aquele tempero novo; brincar com as crianças de adivinhar o que tem no prato pelo cheiro, … Todas essas são estratégias que têm em comum a comida representando seu importante papel de agregadora.

 

    O que queremos evitar no entorno da mesa são as conversas que dividem os alimentos entre saudáveis e não saudáveis, os fiscais de prato alheio e a culpa por comer. É preciso no lugar disso normalizar que comemos um pouco a mais porque está muito gostoso e que nosso corpo saudável é capaz de adequar esse excedente. Ninguém perde saúde em uma refeição, mas toda refeição é uma nova oportunidade para nutrir saúde.

 

     E quando eu falo de saúde, não a resumo à saúde dos nutrientes, mas a saúde verdadeira, aquela onde o comer tem importância, tem papel e serve também para o prazer.

 

    Junte sua família à mesa e, se possível, junte-a também à cozinha. Explorem os alimentos e permitam que as crianças tenham contato com o caminho pelo qual o alimento percorre até virar comida.

 

      Afinal, não se comem nutrientes, certo?!

 

Nutricionista Graziele David Batista

CRN2 15510

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